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Empresas e natureza: por que restaurar ecossistemas importa para os negócios

Por Carolina Mazzi e Clarice Borges Matos 

Negócios e economia não operam de forma dissociada da natureza. A degradação de florestas, solos, rios e zonas úmidas reduz a oferta de recursos e serviços essenciais às atividades produtivas. A restauração de ecossistemas é, portanto, um eixo estratégico para empresas que buscam alinhar suas operações a resultados positivos para a natureza e para a sociedade, como aponta o relatório Ecosystem Restoration for Business in a Nature Positive World, publicado em 2025 pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). 

A dependência do setor produtivo em relação à natureza ocorre de forma direta e indireta. A água utilizada em processos industriais e insumos agrícolas são ativos naturais diretos. Já a biodiversidade que sustenta sistemas produtivos e a estabilidade do clima compõem ativos indiretos. Quando esses ativos entram em colapso, ocorrem aumento de custos, perdas financeiras e riscos à continuidade das operações. O relatório destaca que incorporar a restauração ao planejamento corporativo permite antecipar riscos e fortalecer a resiliência econômica. 

A restauração de ecossistemas envolve ações para recuperar áreas degradadas e restabelecer funções como regulação do clima, filtragem da água e manutenção da fertilidade do solo. Essas funções contribuem para a proteção contra eventos extremos. A restauração integra as chamadas Soluções Baseadas na Natureza (SBN), que utilizam processos naturais para enfrentar desafios ambientais, sociais e econômicos. Para empresas, investir nessas soluções significa reduzir riscos associados à escassez de recursos, à instabilidade climática e à interrupção de cadeias produtivas. 

O conceito de nature positive, destacado no relatório, estabelece a meta de interromper e reverter a perda de biodiversidade até 2030, tomando como referência os níveis de biodiversidade em 2020. A proposta inclui a geração de ganhos para a natureza mensuráveis, além da redução de impactos. No contexto empresarial, isso implica adotar ações baseadas em evidências científicas e métricas para quantificar perdas e ganhos de biodiversidade. A adesão a esse conceito também responde a pressões regulatórias internacionais, expectativas de investidores e demandas de consumidores. 

Estudos indicam que os benefícios econômicos da restauração podem superar os custos iniciais de implementação, com efeitos positivos na geração de empregos e no fortalecimento de economias locais. Ecossistemas restaurados também ampliam a captura de carbono e contribuem para a mitigação das mudanças climáticas. Também reduzem riscos relacionados a desastres naturais e fenômenos climáticos extremos, ao melhorar a adaptação a eventos como secas e enchentes. 

Integrar a restauração da natureza às estratégias empresariais é uma medida com implicações ambientais, econômicas e reputacionais. Representa uma forma de proteger ativos, garantir a continuidade das operações da empresa, alinhando-a a metas globais de sustentabilidade. O avanço dessa agenda depende da articulação entre ciência, políticas públicas e setor privado. 

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