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Relatório sobre o papel dos sítios da Unesco para as agendas climática e da biodiversidade tem contribuição técnica do IIS

Um relatório lançado pela Unesco mostra como os mais de 2.260 sítios declarados como Patrimônios Mundiais, Reservas da Biosfera e Geoparques Globais por essa agência da ONU são estratégicos para a conservação da biodiversidade e enfrentamento das mudanças climáticas. O estudo “People and Nature in UNESCO-Designated Sites: Global and Local Contributions” revela, ainda, as principais ameaças e as ações necessárias para proteger e recuperar esses sítios.

Entre as ações prioritárias está a restauração ecológica, pois, segundo o relatório, 40% dos sítios da Unesco encontram-se criticamente degradados. A seção dedicada à restauração ecológica teve a colaboração técnica de Alvaro Iribarrem, Agnieszka Latawiec, Bernardo Strassburg e Bruna Pavani, do IIS. Nela, o estudo aponta os ganhos para biodiversidade e estocagem de carbono que a restauração em escala pode promover nesses locais.

Cerca de 150.000 km² de paisagens florestais degradadas localizadas nos sítios têm potencial de restauração, que poderia promover o armazenamento de 1,2 gigatoneladas de carbono (GTC C) nos próximos 30 anos. Práticas de uso sustentável da terra poderiam contribuir para ganhos contínuos de biodiversidade, de cerca de 1% por década.

“O relatório da Unesco, inédito, traz uma mensagem muito relevante, que é a importância de dar escala à restauração ecológica em áreas que são fundamentais para a conservação da biodiversidade, o enfrentamento das mudanças climáticas e, consequentemente, também para o bem-estar das pessoas”, afirma Alvaro Iribarrem, do IIS.

O pesquisador destaca que 80% do potencial de escalar a restauração está nas Reservas de Biosfera, como aponta o estudo. “Um exemplo de Reserva da Biosfera é a Mata Atlântica, um bioma historicamente sofreu com o desmatamento e a expansão urbana. Ela tem sido foco de muitas iniciativas de restauração, mas ainda há muito a ser feito para que a atividade ganhe escala e traga os benefícios almejados para as pessoas e a natureza.”

Os sítios da Unesco somados totalizam mais de 13 milhões de km2 e abrangem mais de 60% das espécies mapeadas no mundo. Nesses locais vivem, ainda, mais de 900 milhões de pessoas. Essas áreas também armazenam cerca de 240 gigatoneladas de carbono, volume que equivale a quase duas décadas das emissões globais atuais, sendo que as florestas nesses sítios são responsáveis por cerca de 15% do carbono absorvido por todas as áreas florestais do mundo.

No entanto, quase 90% dos locais enfrentam altos níveis de estresse ambiental, e os riscos relacionados às mudanças climáticas aumentaram 40% na última década, afirma o relatório.

Para reverter essa situação, o relatório propõe escalar ações por meio de frentes prioritárias, como restaurar os ecossistemas para reconstruir resiliência, promover maior cooperação transfronteiriça; integrar os sítios a planos climáticos globais e governar de forma mais inclusiva, em conjunto com povos indígenas e comunidades locais.

Veja os principais pontos sobre restauração ecológica do relatório:

  • Os sítios da Unesco representam uma oportunidade ainda pouco explorada para escalar a restauração ecológica e melhorar a conectividade dos ecossistemas.
  • Com aproximadamente 40% dos sítios degradados a níveis alarmantes, a restauração deve ser integrada como um objetivo central nos planos de gestão e sistemas de monitoramento.
  • Existe o potencial de restaurar cerca de 150.000 km² de paisagens florestais degradadas. Essa ação poderia armazenar 1,2 gigatoneladas de carbono (GTC C) nos próximos 30 anos.
  • A restauração direcionada de cerca de 460.000 km² de terras agrícolas e pastagens de baixo rendimento ou degradadas pode trazer benefícios climáticos e de biodiversidade sem comprometer a produção de alimentos ou a subsistência local.
  • Práticas de uso sustentável da terra poderiam contribuir para ganhos contínuos de biodiversidade, de cerca de 1% por década, nos sítios da Unesco.
  • Para ser eficaz, a restauração deve ser socialmente inclusiva e participativa, envolvendo povos indígenas e comunidades locais, garantindo que as decisões considerem a segurança alimentar e os meios de vida tradicionais.

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