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Sustentando a terra de baixo para cima: desenvolvendo modelo conceitual de valoração dos serviços ecossistêmicos para solos tropicais

Os solos fornecem a base para a produção de alimentos e ajudam a controlar os impactos das mudanças climáticas, regulando os gases de efeito estufa e a água. No entanto, o solo continua sendo um recurso negligenciado pelos governos e, conseqüentemente, os agricultores e tomadores de decisão subestimam seu valor.
O Brasil tem abundância de áreas agrícolas e florestais, o que é fundamental para a segurança alimentar global e a regulação do clima. Enquanto vastas áreas são desmatadas, as áreas agrícolas também sofrem com a superexploração e o manejo inadequado do solo, o que leva à degradação desse recurso natural. Por exemplo, a pecuária é uma das principais atividades agrícolas do país; entretanto, a maioria (75%) das áreas com pastagem está degradada. Neste contexto, o projeto ‘Sustentando a terra de baixo para cima: desenvolvendo um modelo conceitual de valoração dos serviços ecossistêmicos para solos tropicais’ visa mostrar a importância dos serviços do ecossistema do solo para a funcionalidade dos ecossistemas, a cadeia alimentar e o manejo sustentável da terra. O projeto inclui análises ambientais de dados de pastagens; com base nos resultados, os serviços de solo serão valorizados. Posteriormente, iremos informar e traduzir os resultados científicos para os tomadores de decisão, ou seja, agricultores e formuladores de políticas públicas. O diálogo entre ciência, sociedade e política tem o potencial de contribuir para a melhoria do manejo do solo no Brasil e no mundo.
O projeto é coordenado por Agnieszka Latawiec, diretora executiva do IIS : “Este projeto também é uma oportunidade de mostrar como as ciências naturais e sociais devem se integrar e colaborar para beneficiar o uso da terra”, explica Agnieszka, que também é professora do Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio e coordenadora do Centro de Ciências da Conservação e Sustentabilidade (CSRio).
O projeto é financiado pela Newton Fund Advanced Fellowship, Royal Society (UK), Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e executado com apoio da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
O projeto está sendo conduzido por meio de três pacotes de trabalho que estão vinculados aos seus objetivos principais.

1. Revisão sistemática dos serviços do ecossistema do solo na região tropical

O tema dos serviços ecossistêmicos do solo surge como uma abordagem inovadora com potencial para contribuir para a redução do processo de degradação do solo. Estimula uma melhor comunicação dos resultados científicos aos tomadores de decisão, apoiando uma conexão mais sólida entre ciência e política. Explorar o tema dos serviços ecossistêmicos do solo na região tropical é importante porque: I) é nesta região que estão os países com paisagens florestais importantes, como Brasil e Indonésia, e consequentemente podem sofrer muito com processos de desmatamento e degradação do solo; II) inclui países líderes na produção de produtos agrícolas; III) inclui os países mais pobres e, portanto, as populações mais vulneráveis ​​às injustiças sociais e ambientais. Estudos que busquem contribuir para o entendimento do cenário atual e guiar esforços para as próximas pesquisas na região tropical são urgentes e necessários, pois é por meio de medidas de conservação do solo que garantiremos o funcionamento dos ecossistemas.

2. Avaliação dos serviços ecossistêmicos do solo, modelagem e valoração de experimentos com diferentes métodos de manejo de forrageiras e restauração florestal no Brasil
Um dos maiores desafios sobre serviços ecossistêmicos do solo é a modelagem e a avaliação, já que ambos os tópicos são apresentados em apenas poucas publicações. Em workshops realizados, a partir de discussões entre os membros da rede de participantes e colaboradores do projeto, houve avanço no conhecimento sobre esses tópicos. Após pesquisas sobre os dados necessários, foi desenvolvido um protocolo de campo para avaliar alguns dos serviços ecossistêmicos do solo. Além disso, foi feita respirometria e analisada a capacidade de retenção de água do solo. Os dados obtidos no experimento de campo foram analisados e adicionados detalhes da proposta no experimento de mudas e com pastagens. Os dados foram obtidos a partir de um experimento de dois anos (2016 – 2017) sobre o impacto de diferentes métodos de manejo (como calagem, fertilizante, biochar e leguminosas) na qualidade do solo e na produtividade das forrageiras. O experimento envolveu 80 parcelas experimentais com três diferentes gramíneas forrageiras tropicais em múltiplos ciclos de cultivo e forneceu um conjunto de dados robusto que foram utilizados, de forma pioneira, para propor novas abordagens para avaliar o SES. O SES foi inicialmente classificado de acordo com Millennium Ecosystem Assessment (MEA, 2004), pela proposta pelo IPBES, e por outros modelos que surgiram durante a realização da primeira etapa da pesquisa. Em seguida, a opção de avaliação mais adequada foi escolhida com base na literatura existente e na contribuição dos atores interessados.

3. Coleta, intercâmbio e disseminação de conhecimento na interface ciência-políticas públicas
Os resultados serão disseminados para públicos científicos e não científicos através de workshops e outras atividades de intercâmbio de conhecimento e comunicação sobre serviços ecossistêmicos do solo. O objetivo é que o modelo resulte numa melhor gestão do solo na prática. Por fim, serão apresentadas recomendações sobre a metodologia de valoração do solo e proposta a inclusão dos SES no contexto das políticas públicas brasileiras.

Publicações relacionadas ao projeto:

Latawiec, A. E.; Strassburg, B. B. N.; Junqueira, A.; Araujo, E.; Moraes, L. F.; Alves-Pinto, H.; Castro, A.; Rangel, M. C.; Malaguti, G.; Rodrigues, A.; Barioni, L. G.; Novotny, E. H.; Cornelissen, G.; Mendes, M. S.; Da Silva Batista, N.; Guerra, J. G.; Zonta, E.; Jakovac, C.; Hale, S. Biochar amendment improves degraded pasturelands in Brazil: environmental and cost-benefit analysis. Scientific Reports, 2019.
https://www.nature.com/articles/s41598-019-47647-x

Latawiec, A. E.; Seraphim, M. V. P.; Pena, I. A. B.; Monteiro, L.; Gomes, F. D. Games and the Communication of Ecosystem Services to Non-Scientific Audience. Modern Concepts & Developments in Agronomy, 2019.
https://crimsonpublishers.com/mcda/pdf/MCDA.000598.pdf

Vídeos:

1° workshop De Volta às Raizes: O valor que vem da terra, realizado em março de 2019 na PUC-Rio: https://www.youtube.com/watch?v=DZbqRdJQp5Q&t=496s

On-farm biochar production and practical application in Brazil: https://www.youtube.com/watch?v=RZ9tWPE299M&t=79s

Educação ambiental em espaços formais – Jogo da Pescaria https://www.youtube.com/watch?v=l_X1hwPBvs4&t=223s

 

 

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