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02.07.26
No Energy Summit, diretora executiva do IIS destaca o potencial do biochar e de SbN
A diretora executiva do IIS, Agnieszka Latawiec, participou como palestrante do Energy Summit, evento anual que acontece no Rio e reúne pesquisadores, empresas, investidores, formuladores de políticas públicas e representantes do setor produtivo para discutir inovação, transição energética e soluções para a descarbonização. Durante a mesa redonda “Soluções Baseadas na Natureza: Evidência, Métricas e Trade-offs’’, ela apresentou pesquisas desenvolvidas pelo IIS sobre o potencial das Soluções Baseadas na Natureza (SbN), com destaque para o biochar.
“A resposta está sob os nossos pés, mais especificamente nas nossas pastagens e na restauração ecológica em escala”, explicou, ao destacar que o Brasil reúne condições favoráveis para ampliar o uso de biochar, especialmente nessas áreas.
Produzido por meio da pirólise de biomassa em ambiente com baixa disponibilidade de oxigênio, o biochar é um material rico em carbono que, quando incorporado ao solo, atua como um reservatório de longa duração. Além de contribuir para o sequestro de carbono, pode melhorar propriedades físicas e biológicas do solo, como retenção de água e atividade microbiológica.
Ela lembrou que pesquisas conduzidas pelo IIS investigam desde 2011 os impactos da aplicação de biochar no manejo de pastagens. Os estudos demonstraram aumento do carbono armazenado no solo, maior produção de biomassa e melhoria da qualidade da forragem. Além disso, o aumento da produtividade por hectare pode reduzir a pressão pela abertura de novas áreas, criando condições para ampliar a restauração florestal.
“Transformar áreas de pastagem de fontes de emissão em sumidouros permanentes de carbono é, hoje, uma das maiores oportunidades das Soluções Baseadas na Natureza.”
Outra frente de pesquisa do Instituto avalia o uso do biochar em projetos de restauração ecológica. Os resultados indicam que sua incorporação ao solo e como componente de substratos para mudas pode aumentar a sobrevivência e o estabelecimento inicial de mudas nativas, acelerando a remoção de dióxido de carbono da atmosfera e favorecendo a permanência desse carbono ao longo do processo de restauração.
Durante a mesa, a Agnieszka também abordou um dos principais desafios para ampliar a adoção das Soluções Baseadas na Natureza em escala: garantir que os resultados possam ser medidos com rigor e mantidos ao longo do tempo.
Recuperação de funções ecológicas é chave
Segundo ela, a avaliação não deve considerar apenas a quantidade de carbono armazenado, mas também a recuperação das funções ecológicas dos ecossistemas.
“A solução para maximizar chance de sucesso e integridade da restauração em larga escala está em escolher a combinação certa de métricas. Em vez de focar apenas no carbono estocado, precisamos avaliar quais funções ecológicas foram efetivamente restabelecidas e quais processos indicam uma resposta sistêmica duradoura.”
No caso dos solos, Agnieszka explicou que pesquisas recentes mostram que analisar apenas o estoque de carbono orgânico não é suficiente para avaliar sua permanência no solo. Ela defende que o monitoramento incorpore indicadores relacionados às frações de carbono, aos processos bioquímicos do solo, à biodiversidade do solo, aos recursos hídricos e aos impactos socioeconômicos, produzindo dados robustos e auditáveis.
A diretora também destacou que avanços em sensoriamento remoto, inteligência artificial, modelagem espacial e novas técnicas de monitoramento ampliaram a capacidade de acompanhar essas mudanças em escala.
“A ciência fornece o rigor necessário para calibrar as intervenções e assegurar que o ganho de escala se traduza em permanência ecológica.”