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07.07.26

Oficina técnica debateu modelagem de risco de incêndios aplicada à restauração ambiental

Como incorporar o risco de incêndios ao planejamento da restauração ambiental no Brasil? Essa foi a pergunta que guiou uma oficina técnica, promovida pelo IIS em 28 de abril, com o apoio do iCS (Instituto Clima e Sociedade), que reuniu pesquisadores, especialistas em fogo, representantes de organizações socioambientais e instituições públicas.

As discussões foram sobre os resultados preliminares de um modelo preditivo voltado à análise de incêndios em áreas prioritárias para restauração. Essas áreas foram identificadas pelo IIS de acordo com normas preconizadas pelo Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).

Ao longo do evento, intitulado Oficina Técnica Virtual de Avaliação de Resultados, os participantes debateram o potencial estratégico desse modelo e sua contribuição para processos de priorização territorial e apoio à tomada de decisão em ações de prevenção e manejo do fogo. Também foi destacada a necessidade de uma ferramenta flexível de visualização, que permitisse a sobreposição de camadas de interesse de cada usuário e projeto ao modelo final espacializado.

O modelo apresentado utiliza diferentes variáveis de pressão antrópica, topográficas, de vegetação, climáticas e sazonais. Além disso, a recocorrência de áreas queimadas entre 2002 e 2025 (INPE) foi utilizada para estimar cenários de risco histórico do fogo, bem como de risco futuro (2041-2070) em diferentes cenários de emissão de gases estufa. A ferramenta prioriza a análise de áreas efetivamente queimadas, buscando representar padrões recorrentes de ocorrência do fogo.

Entre os principais pontos levantados pelos especialistas, destacou-se a necessidade de regionalizar a modelagem, especialmente em áreas da Amazônia que apresentam sazonalidades distintas. Outra demanda foi de se considerar a diferenciação entre fitofisionomias dentro dos biomas, considerando que tipos distintos de vegetação possuem dinâmicas específicas de interação com o fogo.

A oficina também abordou a importância de diferenciar incêndios degradantes de práticas de manejo integrado do fogo. Os participantes ressaltaram que nem todo fogo tem caráter negativo e que, em determinados contextos, seu uso controlado integra práticas tradicionais e estratégias de manejo territorial, como o Manejo Integrado do Fogo (MIF).

Os especialistas também sugeriram aprimoramentos metodológicos para as próximas etapas do projeto, incluindo o controle de qualidade da resolução espacial do modelo, a incorporação de riscos antrópicos e a inclusão de variáveis operacionais que possam ampliar a aplicabilidade prática da ferramenta. Uma delas, inclusive, já está disponível para amplo acesso na plataforma Zenodo: a base de dados geoespacial consolidada e utilizada para a estimativa de riscos histórico e futuro em áreas prioritárias para restauração.

A oficina, que faz parte do projeto Modelagem de Risco de Incêndio para Iniciativas de Restauração em Larga Escala no Brasil, evidenciou a relevância do diálogo técnico e da construção colaborativa para o aprimoramento de instrumentos voltados à prevenção de incêndios e ao fortalecimento das estratégias de restauração no país.

Parceiros Relacionados (1)

Instituto Clima e Sociedade (iCS)