Notícias > Notícia
21.05.26
IIS promove debate sobre resiliência de Cidades e apresenta guia para manejo dos riscos de desastres ambientais
Evento “Ciência para Resiliência Climática: soluções baseadas na natureza para cidades resilientes” reuniu especialistas, pesquisadores e representantes da sociedade civil e poder público.
O IIS promoveu, no dia 18 de maio de 2026, o evento “Ciência para Resiliência Climática: soluções baseadas na natureza para cidades resilientes”, reunindo cerca de 60 representantes do poder público, academia e organizações da sociedade civil para discutir o papel da ciência na formulação de políticas de adaptação climática e redução de riscos ambientais. Durante o encontro, o IIS apresentou o “Guia para Gestão de Riscos de Desastres Ambientais por meio de Soluções Baseadas na Natureza”, desenvolvido em parceria com a Swiss Re.
Na abertura institucional, a diretora-executiva do IIS, Agnieszka Latawiec, destacou que o encontro marcou o primeiro evento aberto ao público realizado na nova sede do instituto. Segundo ela, o espaço foi pensado para ampliar o diálogo e a construção conjunta de soluções relacionadas à resiliência climática e às soluções baseadas na natureza. “Precisamos avançar na capacidade de transformar conhecimento científico em instrumentos concretos de planejamento territorial, adaptação climática e redução de vulnerabilidades”, afirmou.
Programação: diferentes perspectivas sobre o tema
O primeiro painel abordou a integração entre evidências científicas e políticas públicas de adaptação climática. A superintendente de Cidades Resilientes da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro (SEAS), Larissa Costa, afirmou que o principal desafio atual não é apenas produzir informações técnicas, mas incorporá-las ao planejamento e à tomada de decisão no setor público.
“O desafio hoje não é apenas produzir informação, mas integrar esses dados ao planejamento, ao orçamento e à tomada de decisão do setor público”, disse. Ela também destacou iniciativas desenvolvidas pelo Governo do Estado relacionadas à restauração ecológica, conservação de recursos hídricos e ampliação da resiliência climática nos municípios fluminenses. Entre elas, citou o programa Ambiente Resiliente, criado após os desastres ocorridos em Petrópolis e voltado ao fortalecimento da capacidade técnica e institucional dos municípios para enfrentar eventos climáticos extremos.
A programação seguiu com a apresentação da líder de Biodiversidade do IIS, Stella Manes, que falou sobre o uso de soluções baseadas na natureza na gestão de riscos de desastres ambientais. Ela foi a responsável por apresentar o “Guia para Gestão de Riscos de Desastres Ambientais por meio de Soluções Baseadas na Natureza”, que apresenta uma abordagem analítica desenvolvida pelo instituto para identificar áreas prioritárias para restauração e conservação no estado do Rio de Janeiro, considerando fatores como controle de enchentes, conforto térmico e proteção costeira.
“O trabalho utilizou modelagem espacial, cenários climáticos e análise de custos e benefícios para orientar a tomada de decisão e apoiar estratégias de adaptação climática. Investir na natureza é investir em adaptação climática. As soluções baseadas na natureza são uma estratégia concreta para aumentar a resiliência dos territórios”, afirmou.
Cidades resilientes para o futuro
O painel “Cidades verdes e azuis resilientes: adaptação baseada em evidências e soluções baseadas na natureza” foi conduzido por Raquel Cruz, professora da PUC-Rio e coautora do relatório de síntese do Centro de Síntese em Mudanças Ambientais e Climáticas no Brasil. Durante a apresentação, ela discutiu os impactos do modelo tradicional de urbanização sobre o ciclo da água e defendeu a incorporação de infraestruturas verdes e soluções baseadas na natureza no planejamento urbano. “Produzir cidades incompatíveis com os sistemas naturais já não é mais possível. O desafio agora é reconstruir essas relações ecológicas”, destacou.
Encerrando o ciclo de apresentações, Aliny Pires, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenadora do relatório climático da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES), apresentou o trabalho desenvolvido pela iniciativa na produção de sínteses científicas voltadas ao apoio à formulação de políticas públicas. “A ideia da plataforma é reunir o conhecimento já produzido e transformá-lo em síntese capaz de apoiar a tomada de decisão e a formulação de políticas públicas”, afirmou.
A professora explicou ainda que a plataforma atua na sistematização de conhecimentos científicos e tradicionais relacionados à biodiversidade e aos serviços ecossistêmicos, buscando aproximar pesquisadores, gestores públicos e diferentes setores da sociedade.
Após as palestras, foi realizado um debate de como a ciência pode apoiar o planejamento territorial e a gestão de riscos climáticos, moderado por Sérgio Margulis. O evento também teve Roberta Brasileiro, da ONU Habitat, como cerimonialista. Bernardo Strassburg, diretor executivo de Ciência do IIS, realizou o fechamento destacando a importância de debater os assuntos promovidos pelo evento e que dialogam com os projetos e pesquisas do IIS. E destacou a pluralidade dos temas e painelistas.
“O evento integrou diferentes visões e especialistas sobre temas centrais para o futuro, como planejamento urbano, biodiversidade e adaptação climática. Precisamos discutir e explorar os caminhos para a construção de cidades mais resilientes diante dos impactos das mudanças climáticas”, enfatizou.

