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Trade HUB – UKRI GCRF Centro de Comércio, Desenvolvimento e Meio Ambiente

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra brasileira de grãos deve bater outro recorde em 2021, o terceiro consecutivo, somando 260,5 milhões de toneladas, um aumento de 2,5% sobre o recorde do ano passado. O Brasil foi o maior produtor mundial de soja em 2020, retomando dos Estados Unidos a posição de maior produtor mundial de soja, além de ser o maior exportador mundial de soja.

Ao mesmo tempo, as regiões biogeográficas brasileiras perderam áreas naturais e registraram aumento no número de espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção. Os dados mostram que cerca de 500 mil km² de cobertura natural foram perdidos entre 2000 e 2018, devido às pastagens e à expansão acelerada da agricultura. Segundo a Organização para Agricultura e Alimentação (FAO), cerca de 80% do desmatamento na região amazônica se deve à atividade pecuária. De acordo com Vasconcelos et al. (2020), estima-se que, entre 2012 e 2017, mais de um quarto do desmatamento total em Mato Grosso, maior estado produtor de grãos do Brasil, ocorreu em fazendas de soja – a maioria ilegalmente devido à falta de licenças. Estima-se  que 2% das propriedades na Amazônia e Cerrado são responsáveis por 62% de todo o desmatamento potencialmente ilegal. Como consequência, 3.299 espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção no Brasil.

Como resposta à este cenário, o mercado externo tem exigido cada vez mais que as commodities importadas do Brasil estejam livres do desmatamento ilegal e, consequentemente, da perda da biodiversidade. De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), o comércio internacional tem um papel central na obtenção do desenvolvimento sustentável. As questões relacionadas ao consumo e produção responsáveis, juntamente com a manutenção da biodiversidade e as contribuições da natureza para as pessoas (serviços ecossistêmicos), podem ser particularmente importantes quando se olha para os fluxos de comércio internacional de soja e outras commodities. Além disso, há um crescente debate sobre como incentivar os agricultores a conservar áreas naturais além dos requisitos legais da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (LPVN).

Nesse contexto, um dos principais desafios para a sustentabilidade agrícola é como aumentar a produção sem causar mais perda de biodiversidade. A mudança no uso da terra sem um planejamento sustentável e causando grande desmatamento pode trazer várias consequências para a posição ambiental do Brasil e repercussões danosas para o seu setor de agronegócio e acesso a mercados.

O projeto UKRI GCRF Trade, Development and the Environment HUB – ou Centro de Comércio, Desenvolvimento e Meio Ambiente do Fundo de Pesquisa de Desafios Globais (Global Challenges Research Fund) do órgão de Pesquisa e Inovação Britânico (UK Research and Innovation) – tem como objetivo fornecer dados, análises, ideias e parcerias que acelerem a transição para um sistema comercial global sustentável, reduzindo seus impactos na biodiversidade e na população, aumentando os benefícios sociais do uso de espécies selvagens e da produção agrícola, e conciliando assim o comércio como meio de subsistência para as comunidades em situação vulnerável, com a conservação da natureza.

Este Centro envolve economistas, modeladores comerciais, cientistas políticos, ecologistas, grandes empresas, órgãos da ONU e organizações não-governamentais que trabalharão juntos em cadeias de suprimento para influenciar políticas e práticas relacionadas ao comércio. Também produzirá pesquisas para ajudar a garantir que o comércio se torne um fator de mudança positiva no mundo, evitando a perda da biodiversidade e reduzindo a pobreza. É um dos doze centros de pesquisa interdisciplinares financiados pelo UKRI GCRF, liderado pelo Centro Mundial de Monitoramento da Conservação (World Conservation Monitoring Centre – WCMC), da ONU Meio Ambiente, e tem por objetivo conciliar o comércio como meio de subsistência para as comunidades em situação vulnerável, com a conservação da natureza.

Ao lado de 50 instituições de 15 países diferentes, o papel do IIS no Trade Hub é analisar o uso da terra e os resultados da biodiversidade da produção de commodities agrícolas e cenários de comércio internacional. A pesquisa realizada pelo IIS  contribuirá para esse debate por meio do uso de modelagem econômico-ambiental espacialmente explícita do uso do solo, explorando diferentes medidas para a implementação efetiva de políticas nacionais, combinadas com diferentes soluções para implementação de salvaguardas em acordos comerciais.

Saiba mais sobre o projeto em https://tradehub.earth

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UNEP/WCMC